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Professora Clises Marie Carvajal Mulatti (Veja+)
Diretora e Fundadora da Tom sobre Tom – Escola de Música e Centro Cultural Tom sobre Tom, desde 1997, exerce sua carreira de pianista sem divisões entre o erudito e o popular, estilos, em diferentes países. Em sua trajetória como educadora e professora de música, desenvolveu-se em Pedagogia Musical com ênfase em métodos que possibilitam uma escuta mais apurada, e a manifestação do movimento através da música, usando-os como veículos de formação do individuo desde a primeira infância, passando pela adolescência, incluindo cursos de formação e especialização para professores.
O papel de Escola de Música nos dias atuais.
"Engajada como educadora musical, pesquisadora de caminhos musicais e educacionais há 3 décadas, sinto uma grande responsabilidade em colocar idéias que surgiram no decorrer desta vivência, renovada a cada dia, através de experiências multifacetadas.
O ensino musical hoje é visto como um importante veículo para o desenvolvimento em qualquer idade.
Em relação à criança, é enorme a receptividade com que ela aceita os estímulos musicais e a influência que este contato com a música exercerá em todos os seguimentos de sua vida.
Têm-se amplamente divulgado que até mesmo antes de nascer, o contato com o universo sonoro seja absorvido através das pulsações do coração materno, através da música ou das conversas que chegam de alguma forma a serem percebidos pelo pequeno ser.
Aprender música significa integrar experiências que envolvam a vivência, a percepção, a absorção e a decodificação que o cérebro, através dos sentidos, fará dos estímulos sonoros recebidos.
Toda a criança emite sons, mas se estes forem ignorados pelos que a circundam, poderão “cair no vazio”. Ao contrário, se forem valorizados, ouvidos e até mesmo repetidos, poderão se transformar em experiências gratificantes para todos os envolvidos. É desta maneira que nos últimos anos a valorização e concretização de sons corporais, da escuta corporal, tem encontrado cada vez mais adeptos.
A música não deve ser vista apenas como um forte aliado no auxílio e reforço dos conceitos dados no dia a dia, como também ajuda a desenvolver a alto confiança, o respeito ao próximo, a percepção auditiva do mundo que o cerca, entendendo- se aqui as importantes funções da percepção espacial, percepção rítmica, expressão corporal, coordenação motora, o desenvolvimento de sua disciplina, e a atenção, que mais tarde evoluirá para a concentração.
O objetivo da educação musical na vida do indivíduo,e aqui compreendamos, de qualquer idade, não é servir apenas para incentivar a ler partitura ou apreciar concertos ou outra forma qualquer de manifestação musical. É acima de tudo o processo que nos atinge pelo sensorial, e que irá imprimir no cérebro a compreensão da melodia das próprias palavras, o ritmo, a intenção e a manifestação do movimento. Por estímulos sonoros entende-se a audição destes sons através de processos naturais, inerentes ao corpo humano, mas que bem conduzidos, devem evoluir ao que se chama de escuta. Esta nada mais é que o reconhecimento deste som por inúmeros centros perceptivos em nosso cérebro, pequena mais eficientíssima máquina, onde temos o centro de todos os comandos que geram nossos atos, voluntários ou não.
Se agregarmos os fundamentos de descobertas científicas do funcionamento do corpo humano, ao ensino nas escolas de música, veremos que a função primordial é a de acolher as nossas crianças como pequenos artistas em potencial, e quando adolescentes esclarecer-lhes sobre o vestibular para música, e quanto ao mercado de trabalho existente: seus prós e contras, as dificuldades a serem encontradas antes de chegar à valorização do nosso trabalho como músicos.
Quanto à Música que é feita pelo músico brasileiro, atuante, que está aí para ser percebida, absorvida e ouvida por todos, veremos que a nossa música, a boa música, está iniciando um novo processo, do qual todos nós, músicos e educadores musicais somos responsáveis como fazedores, autores, compositores, educadores, formadores de opinião.
Em todas as afirmações colocadas acima, voltadas para a área de educação, é importante lembrar que os músicos – e a música - não têm fronteiras: as linguagens se misturam, em que o antigo e o moderno se encontram , a nossa ginga, o nosso ritmo, os nossos estilos musicais, podem conviver e misturar-se pacificamente, como nós brasileiros."
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